quinta-feira, 14 de setembro de 2023

Worldbuilding - A criação do Universo Chiaroscuro

 

🌟🌎Hora de Worldbuilding!🌎🌟

Chiaroscuro é um dos milhares de universos que existem junto ao nosso no grande multiverso.  Um universo de luz e escuridão, ao mesmo tempo tão parecido e tão diferente do nosso. Chiaroscuro é uma versão alternativa de nossa realidade, possuindo galáxias, sistemas solares, estrelas e planetas similares, se não completamente idênticos, aos que conhecemos, além de apresentar um planeta Terra contendo uma espécie humana com uma história e aparência surpreendentemente familiar.

Em Chiaroscuro o universo se iniciou no que é chamado Nada, ou Tudo, onde apenas duas entidades existiam a princípio: a Luz e a Escuridão. De onde tais entidades vieram, ou seja, como elas surgiram, não se sabe.

O universo foi iniciado pela entidade da Luz, que originou os primeiros elementos do cosmos, dando assim o chute inicial para o desenvolvimento de novas espécies através de regras naturais de evolução, similares às regras de nosso universo. Foi a partir da Luz que nasceram também os primeiros seres de inteligência avançada, conhecidos como Filhos da Luz e Seres Dourados. A segunda entidade, Escuridão, seguiu os passos da Luz com outros elementos de sua própria criação, assim como outros seres, tanto inteligentes (Filhos da Escuridão e a Sombra) como não inteligentes (Vazios).

Os únicos seres que tem total conhecimento de como Chiaroscuro foi criado e desenvolvido são os povos Estrela e Sombra, uma vez que estes são descendentes diretos dos Filhos da Luz e da Escuridão. 

🌟A Criação do Universo Chiaroscuro🌟

como contada pelo Povo Estrela e o Povo Sombra

Antes de nossos tempos, tudo o que existia era o Nada.

E, no meio do Nada, viviam a Escuridão e a Luz.

Luz, a mais jovem, vivia confortável e protegida dentro do abraço da Escuridão, a mais velha, e bem ali a Luz criou um universo só para si mesma e para a Escuridão. E assim existia o Tudo no meio do Nada.

A Luz criou tudo o que podia criar até não haver mais espaço no abraço da Escuridão. Então a Escuridão criou uma nova camada de realidade para a Luz encher com suas criações. Depois de um tempo, o espaço acabou mais uma vez, e a Escuridão criou mais uma camada para a Luz e a Luz continuou criando.

E quando terminou a terceira camada, a Luz ainda ansiava por mais, mas não havia mais espaço.

“Destrói o que criaste.” Disse a Escuridão. “E recria como desejaste.”

Porém, a Luz não desejava destruir o que já tinha criado.

“O que há para além de teus braços?” Perguntou então para sua companheira.

“Nada.” Respondeu-lhe a Escuridão.

“Então permita-me sair e criar para ti um novo Tudo.” Ofereceu a Luz.

“Mas aqui já temos nosso Tudo.” Era tudo o que a Escuridão tinha a dizer.

A Escuridão amava o que a Luz criava com a mesma intensidade que a Luz amava sua criação, mas o desejo por mais continuou viva dentro da Luz, um desejo refletido nas criações de luz que escalavam os braços da Escuridão como pequenos pingos de diamante.

Então a Luz fez uma decisão.

Triste em se desafazer de seu Tudo para criar um novo Tudo, a Luz cantarolou para sua criação uma última canção e ofereceu-lhe uma última dança antes de se despedir dela. E seu brilho ficou tão bonito e hipnotizante que a Escuridão adormeceu e, ao adormecer, seu aperto se afrouxou.

Tomando a chance, a Luz deslizou por uma das frestas e se viu pela primeira vez no outro lado do abraço da Escuridão.

A Luz descobriu pela primeira vez o que era o verdadeiro Nada.

Triste ao saber que a Escuridão nunca teve o seu próprio Tudo, a Luz se pôs a dançar e a cantar mais uma vez. A cada palavra que saia de seus lábios nascia uma nova essência e a cada passo de seus pés essa essência se tornava real.

Mas a Luz se sentia solitária sem o sorriso da Escuridão para acompanhar sua canção, então, dos brilhos que caiam de sua forma a cada giro e pirueta, nasceram seres de luz, douradas como chamas. Os seres dançaram a seu lado, ecoando o júbilo de criação com suas próprias vozes e seus próprios versos. Logo o Nada, que agora era Tudo, se encheu com a cantoria de várias vozes.

E ali o espaço nunca acabava, permitindo que a Luz criasse mais e mais… até que a Luz viu que, com cada movimento de sua dança, com cada nota de sua canção, mais e mais seu brilho diminuía, até ela não passar de um pequeno ponto de luz.

E a Luz finalmente entendeu por que a Escuridão escondia dela o Nada, porque a Escuridão sabia que a Luz desejaria preencher aquele enorme espaço vazio, assim como era de sua natureza fazer, se extinguindo ao fazer tal coisa.

Prevendo a tristeza da Escuridão ao vê-la daquele modo, a Luz sabia que o único jeito de retornar à sua glória anterior era destruir aquilo que tinha criado. Mas a Luz tinha pintado aquele Nada com seu coração, criando um Tudo especial, um Tudo não para si, mas um Tudo para a Escuridão, e ela não podia se levar a destruir o reflexo de seu coração.

Então a Luz cantou sua última canção e dançou sua última dança.

E de suas lágrimas nasceram os Filhos da Luz, que dividiam todas as suas dores e amores, suas felicidades e tristezas, e deu-lhes a missão de alegrar a Escuridão e servir-lhe de companhia.

Com uma nota final que ecoa até hoje no Tudo, a Luz desapareceu.

Quando a música parou, a Escuridão acordou e chorou ao descobrir que sua Luz havia desaparecido.

Porém, logo sua tristeza foi substituída por raiva. E de sua raiva e ressentimento surgiram os Vazios, que começaram a devorar e destruir a criação que preenchia o velho Nada.

Mas então a Escuridão viu os Seres Dourados e os Filhos da Luz que se escondiam entre o Tudo que a Luz tinha criado. Eles tinham medo, a Escuridão podia ver, mas ainda assim continuavam cantando; suas vozes eram a voz da Luz e suas essências eram a essência da Luz; e eles cantaram para a Escuridão, para que não destruísse os presentes da Luz, pois eles tinham sido feitos para ela.

Os ouvidos da Escuridão se abriram para a canção que vinha de tudo e de todos, e decidiu que não podia destruir a criação de Luz, porque aquilo seria destruir a própria Luz.

A Escuridão tentou parar os Vazios em sua destruição, porém, uma vez alimentados pelo ressentimento que ainda sentia, eles não pararam. Determinada, a Escuridão lutou contra sua raiva e sua tristeza ciclo após de ciclo, porém não foi capaz de destruir a Sombra que havia crescido dentro de si. Por fim, a Escuridão lançou a Sombra dentro de um dos Vazios, prendendo-o para toda a eternidade no centro do Tudo, onde não podia ser alcançado por nada nem ninguém. Os Vazios permaneceram, mas se acalmaram.

Inspirada pelo brilho da Luz e dos Filhos da Luz, a Escuridão cantou sua própria canção e dançou sua própria dança, algo jamais visto antes e que nunca seria visto novamente. E de sua canção nasceram os Filhos da Escuridão, tão diferentes, mas ainda assim tão parecidos com a criação da Luz.

E uma vez feliz com a harmonia entre sua criação e a da Luz, a Escuridão abriu seus braços mais uma vez, envolvendo o Tudo em um novo abraço e lá ficou, mantendo a criação de sua Luz segura e protegida, para todo o sempre.

~o~ 

A Luz e a Escuridão

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